A campanha contra a baixaria na TV completou dois anos neste sábado, dia 13, com saldo positivo e com avanços significativos para melhorar o conteúdo da programação televisiva. A afirmação é do coordenador da campanha, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), que citou, entre as conquistas deste período, a mobilização da população e de entidades em defesa da campanha.
“Contamos com o apoio de 60 entidades nacionais e de mais de 100 entidades estaduais e já estamos com coordenação regional em 13 estados”, enumerou Fantazzini.
O deputado contabiliza também entre as conquistas a ampliação do número de funcionários do Ministério da Justiça que trabalham na classificação dos programas por faixa etária. O Ministério, provocado pela campanha, criou uma comissão para estudar mudanças nos critérios de classificação da programação. “Estabelecemos ainda uma parceria informal com os Ministérios Públicos federal e estaduais nas ações para melhorar a qualidade da TV”, completou Fantazzini.
O coordenador lembrou também a grande adesão da população ao “Dia Nacional Contra a Baixaria na TV”, realizado no dia 17 de outubro. Na ocasião, o Ibope registrou uma queda de 14% dos aparelhos de televisão ligados no horário estipulado para o boicote.
Vitória - O sucesso da campanha, segundo Fantazzini, também pode ser medido pelas reações de apresentadores como o Ratinho, do SBT, de que “baixaria não convive bem com anunciantes”. Ratinho fez a declaração depois de ter ficado no topo do 4º ranking da lista da baixaria divulgado pela campanha.
Outra vitória do grupo, segundo Fantazzini, foram as mudanças promovidas no programa “Domingo Legal”, também do SBT. “O apresentador Gugu Liberato fez alterações positivas depois que seu programa liderou o 2º ranking da baixaria”, afirmou Fantazzini.
Como exemplo de mudança, o deputado lembrou que o programa deixou de apresentar entrevistas falsas, pegadinhas que humilhavam os participantes ou programas que expunham a miséria do povo.
Fantazzini contabiliza ainda como saldo positivo da campanha mudanças no “Domingão do Faustão”, da Globo, que já não faz mais tantos closes dos bumbuns femininos. A apresentadora Márcia Goldschmidt, da Rede Bandeirantes, também mudou seu programa. “Mas ela ainda continua vendendo ilusões de que resolverá todos os problemas pessoais e permanece explorando a miséria das pessoas”, criticou o coordenador da campanha.
Por causa dessas atitudes, Fantazzini destacou que recentemente uma pessoa que foi iludida pela apresentadora invadiu o seu programa com uma arma em punho. “O coitado, que queria apenas rever seu filho acabou preso e sem resolver o seu problema”, lamentou.
Caso perdido - O coordenador da campanha considera o apresentador João Kleber um caso perdido, a maior decepção da campanha. “Ele por três vezes liderou o ranking da baixaria, e só não esteve em outros porque veio aqui e assumiu perante a coordenação da campanha um compromisso de melhorar seu programa. Mas o que ocorreu foi contrário: ele piorou e continua expondo as pessoas ao ridículo principalmente com o teste da fidelidade”, afirmou.
Desafios - Um dos desafios para o terceiro ano da campanha, segundo Fantazzini, é a realização, ainda este mês, do encontro com os 100 maiores anunciantes da televisão. “Vamos pedir a colaboração desses empresários e mostrar os malefícios que eles causam patrocinando esse tipo de programação”, explicou. Para Fantazzini é importante que a população saiba quem é que financia os programas que promovem a baixaria na TV.
No próximo ano será realizado seminário da coordenação da campanha com integrantes dos Ministérios Públicos federal e estaduais para a harmonização das ações em defesa da programação de qualidade na TV. Fantazzini disse que já pediu também audiência com o ministro da Educação, Tarso Genro, para propor um trabalho conjunto nas escolas. “É preciso alertar as crianças e os jovens, alvos preferenciais da programação livre da televisão’, explicou
Fonte: texto de Vânia Rodrigues, do Informes do PT
O CFP participa da Executiva da Campanha.